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20.9.11

apesar das evidentes qualidades do trabalho

já começo a receber as respostas - negativas - das editoras para o livro que escrevi. a expectativa - ainda que desconfiada - quando se frustra dá uma tristeza. olho em volta. meu companheiro de casa me deu um resto de tabule pra comer. como também bolachas e margarina. e há um resto de café frio no bule, não vou requentar.

hoje recebi meus primeiros pesos argentinos por um trabalho feito aqui, desde que cheguei. foi algo como vinte reais, pagos por uma hora de aula. gastei metade disso num almoço agradável com o meu aluno. voltei para casa, fiz café.

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de verdade: não sei o que pensar sobre isso. me fere e me acalenta o ego, por um lado, que não me queiram; por outro, que eu não agrade ao que não me agrada. parece, ao fim e ao cabo, uma troca justa, com quantos macacos se faz um galho. conseguir um emprego e ser bem quisto por lá também me deixa arisco. fiquei triste quando passei no vestibular porque essas coisas não me dão uma alegria pura - como, por exemplo, ver um gato sobre a mesa. que um gato me queira, me alegro. mas o resto também existe. ou posso viver só de gatos?

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outro de quem lembrei ontem, mas não pus no texto, kawabata se matou já velho, tendo recebido um nobel. o dinheiro dinamitado dos suecos, a culpa ao mundo. aquele ano seria um japonês e mishima era - senão o preferido - ao menos o mais evidente. mishima se matou, também, mas de outro modo. kawabata acho que foi com veneno, não me lembro.

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olho para a página cheia de anotações, meu exercício intelectual de viver. amanhã irei à repartição burocrática para legalizar minha residência no país. tenho que preparar aulas, também, e buscar ganhar mais e mais dinheiro, para pagar as contas, para continuar escrevendo.

o tempo é um saco sem fundo.

31.8.11

27.3.11

livro

Gostaria que esse objeto-evento, quase imperceptível entre tantos outros, se recopiasse, se fragmentasse, se repetisse, se simulasse, se desdobrasse, desaparecesse enfim sem que aquele a quem aconteceu escrevê-lo pudesse alguma vez reivindicar o direito de ser seu senhor, de impor o que queria dizer, ou dizer o que o livro devia ser. Em suma, gostaria que um livro não se atribuísse a si mesmo essa condição de texto ao qual a pedagogia ou a crítica saberão reduzi-lo, mas que tivesse a desenvoltura de apresentar-se como discurso: simultaneamente batalha e arma, conjunturas e vestígios, encontro irregular e cena repetível.

(Michel Foucault)

(...) nós precisamos de livros que nos afetam como um desastre, que nos magoam profundamente, como a morte de alguém a quem amávamos mais do que a nós mesmos, como ser banido para uma floresta longe de todos. Um livro tem que ser como um machado para quebrar o mar de gelo que há dentro de nós. É nisso que eu creio.

(Franz Kafka)

7.10.09

o castelo

escrever pelas paredes / pedra sobre pedra / até que não reste

escrever pelas paredes.

28.5.09

Acabou produto

1.
Will you take me as I am? (Joni Mitchell canta). Este é um projeto para viver sem projeto. Não, tou brincando, na verdade é uma coisa bem intimista e afásica, só projeção. De te pensar um destinatário oculto, como se o meu não fosse visível, ah será esta uma tardia adolescência de emoções? Não, isso aqui é intervalo.

2.
Que essa prosa não dê prémio.

12.5.09

Acabou chorare

Nem que fosse ruim, impalatável ao gosto de literatxs, meu livro pronto é um beijo pra quem vos quero. Júlia, me ensinou esse amor. Da coisa em páginas e validade só do afeto. Cantos de estima. Todo mundo deveria fazer o seu. Já já te dou.