7.8.10

sonho

é um desengano. Mas também um grande privilégio: que a cada minuto morre de fome uma pessoa no mundo e você, aí, essa bela barriga. Vou contar a história da barriga.

Que os mandarins eram grandes glutões, os europeus quando os viram ficaram extasiados: homens cultos, tocando a viola e enormes mais que porcos. Outra história da barriga: os castrati, que eram bem comuns não só na China, mas em muitos países da Europa: a família cedia o menino ourinho do coro ao rei; então, antes da puberdade, cortavam-lhe os ovos ou algo parecido e o menino não desenvolvia pelos e músculos, do contrário ficava meio viadão aos olhos de todos, de mamas grandes e voz fina. Dizem que era um ótimo subterfúgio para as damas da corte, que podiam tê-los como amantes sem que ninguém desconfiasse, eunucos pintudos endurecidos que mais pareciam moças delicadas. E um dos efeitos da castração era a gordura, também a calvície. Dizem que não eram belos os castrati, rouxinóis com aparência de hipopótamos, mas quem vê beleza não põe a mesa.



Um homem esguio, magro de ombros finos, sempre muito seguro de sua magreza, começa um dia a desenvolver o grande medo, uma tenebrosa pança. Que cresce até que o hábito de encolhê-la não sirva para nada além de espremer o diafragma e provocar falta de ar. Não que antes ele fosse particularmente atraente, mas é que agora.

Pausa. Essa é uma história injusta. Vou pra outra.

Grande, forte, cavalo. E coroado dos lados pela massa fofa de certezas: os machos culotes. Esse é um outro personagem. Quantas mãos já agarraram isso feito rédeas / pra não cair do seu galope.

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